Talvez o “Nada” tenha se tornado seu melhor companheiro. Tenha construído um vazio dentro de si e se enfiado numa cova de solidão. Podia ter abraçado o mundo, mas se deparou com os limites de seus braços e declarou ser impossível tal façanha.
Talvez tenha desejado gostar de verdade, mas ficou com medo de tentar e resolveu fingir que gosta e vai empurrando com a barriga. Passou pela vida de cabeça baixa enquanto a vida passava depressa por seus ombros cansados. Não conheceu o amor, não sei nem se tentou…fica por aí fingindo que é capaz, mas fica claro que esqueceu de amar – inclusive a si mesmo.
O olhar vazio de quem não é feliz confundido com o olhar misterioso de quem sabe muito o que quer…tudo mentira. Não tem nem ideia de quem é, do que quer. Se distancia de tudo porque agora a solidão é parte de si, aderiu, se identificou, acabou ficando por ali mesmo…nesse buraco, nesse vazio.
Vez ou outra, quer abandonar tudo mas logo se lembra que não possui nada e desiste até disso. O que conseguiu construir até hoje é frouxo, é ralo, é falso. Aderiu ao lema de que a felicidade não existe pra não ter que lidar com o fato de que não aprendeu a ser feliz…falhou nisso também.
Aprendeu pouco da vida e tem pouco a ensinar. Leva na respiração cansada o peso de quem não vai desistir…mas que vai continuar só empurrando. Só empurrando…
Entre tantas noites de resiliência amorosa essa foi peculiar. Porque com tantas adolescentes lindas chorando no banheiro da boate é impossível não parar pra refletir o porquê dessa angústia que vaza pelos olhos. A verdade é que sempre vai doer. Sempre vai. Nunca vai deixar de magoar quando acontece.
O que muda é a gente.
Comparando com as minhas (des)ilusões do passado me parece que a dor é sempre a mesma. Um rompante que corta, que abre, que tortura. Um nó na garganta, um aperto no peito, uma espetada no estomago. É ferida que agoniza, que sangra. Só que com os anos é preciso aprender mais sobre você. É preciso cair na real e na vida. Não se pode mais colocar musica triste e se permitir chorar por dias. A vida te chama pra responsabilidade, a vida te chama pra vida.
Passa o desespero de achar que “dessa vez é derradeiro”. Não é. Nunca é. Quanto mais rápido se recuperar maiores são as chances de ser feliz de novo. Vai logo. Se arruma. Vai pro mundo, tem um monte de gente lá fora doida pra te conhecer,vai!
É preciso reagir, agir…já aconteceu uma, duas, dez vezes! Você vai ficar bem…e sabe disso! Aprendeu que o tempo cura, que o álcool amortece e que tentar de novo é necessário. Aprendeu que nada é pra sempre, que dói mas passa e que (quase) tudo tem um fim.
É por isso que fico sentida pelo choro das meninas nos banheiros da vida…porque as vezes demora pra gente aprender que não é o fim. Leva um tempo pra gente perceber que a vida é cheia de ciclos e que esse foi só mais um que chegou ao fim. É só mais uma pedra…que você chutou sem querer, machucou o dedo, doeu mas que cicatriza e melhora (mesmo que leve algum tempo). E que é preciso ser forte, viu? Porque ainda existem muitas pedras pra se chutar nessa estrada. Tem muito buraco pra cair, muito “passo em falso” pra dar. O que não pode é ter medo de continuar andando.
É uma avenida de alegria forjada.
Um desfile histérico consentido. É isso. Onde todos podemos colocar nossa histeria de fora, pra gritar, pra ser vista.
É poder usar mascara (outra, no caso), ser mulher mesmo sendo homem. É poder ser louca, puta, bêbada. E rir disso.
É questionar a conduta, se permitir ser livre, encher a cara de pano, álcool e exagero.
É libertar instinto. Fingir uma alegria exacerbada que simplesmente não pode ser encontrada em uma avenida cheia de confetes. Disfarçar vazio existencial com sexo sem proteção.
É clamar por liberdade simulando libertinagem…ou o contrario, não sei.
Porque por mais cruel que possa parecer, esses cinco dias não mudam nada, não acrescentam nada. Porque felicidade não é programada, nem enlatada, nem localizada.
Estar feliz é estado de espírito e não estado alcoólico. Não vem com serpentina, não aumenta junto com o glitter.
É uma farsa, um teatro, uma montagem. Funciona, talvez. Se durante sua bebedeira você não parar pra pensar o quanto de solidão sobra em você no meio daquela multidão. O quanto sobra de tristeza mergulhada em toda aquela alegria. O quanto sobra de silencio ao som do batuque.
Se é carnaval que te faz feliz…porque não passar o resto da vida num eterno carnaval? Beirut-The Concubine by carmenxu123
É isso! Não boto fé, e só! Pra mim, amor sufoca. Necessariamente! E quando sufoca, ele tira o ar e as palavras. Não é preciso pôr pra fora, nem anunciá-lo. Ele vem cravado em toda musica melosa, em todo poema de botequim e é, (realmente, Amarante) , passível de ser percebido até lendo jornal na fila do pão. Sem esbravejar, sem berrar.
Costumo encarar verbalmente o amor como uma doença porque somos ACOMETIDOS por ele. E os sintomas até se parecem, viu? Mas enfim…a gente sente mais e fala menos.
E é por isso que eu questiono a veracidade desses insistentes “eu te amo” o tempo todo. Porque quando é de verdade, o outro sabe, não há dúvida, ele simplesmente SABE. Quando é de verdade, fica claro, a gente mostra, demonstra, (re)monstra, é simples.
Gritar, pra mim, é desespero! É desnecessário, é insignificante. Gritar, pra mim, é querer provar através da boca alguma coisa na qual o coração não está bem convencido. Essa ânsia de mostrar sua felicidade pro mundo…é querer provar alguma coisa pra alguém ou pra si?
Exagero não é marca de amor. Exagero é exagero. Sentimento tá cravado no olhar, tá impregnado no toque, é demonstrado em ações. Palavras vão mbora, você sabe?
Não é que eu não acredite no amor. É que eu inventei meu próprio jeito de amar.
Reconhece que ela chegou no lugar pela risada…escancarada, sem pudor, deliciosa. Controla seus impulsos pra não estar ao lado dela o tempo todo. Porque quer saber do que tanto ri, pra quem tanto ri e quer fazê-la rir mais um pouquinho. Tem ciúmes delas, às vezes. Quando está longe, não suporta a idéia de outro alguém arrancando aquelas gargalhadas, detesta o fato de que seu sorriso é do mundo, é aberto, é de graça. Fica angustiado quando pensa que não é possível comprar o som de suas risadas, que não é permitido ser dono de sua alegria, ou algo assim.
Com as mãos suadas, evita olhar diretamente para o branco de seus dentes. Tem medo de que fique cego, ou sei lá…se apaixone. Se sente pressionado quando o silêncio prevalece e ele não é capaz de sugar dela a melodia de seus risos, que soam como música no ambiente e faz todo mundo entrar na dança.
Gosta do jeito que ela se permite rir, abrir a boca, mostrar a garganta…como se o mundo fosse dela, como se ele fosse dela. Fica abismado com o poder de controle que seu humor tem sobre tudo. Se ela tá triste, ele também fica. Quando ela ta alegre, a mesma coisa. Gosta dela porque se sente em paz com seu riso frouxo e porque percebeu, com o tempo, que se sente desconfortável quando ela faz questão de não cruzar os olhos. Se sente deslocado sem ela pra concordar com tudo, sorrir e fazer tudo ficar bem.
O triste disso tudo é que, coitado, foi criado pra se ater a sorrisos comedidos, escolher risadas comportadas limitadas apenas à momentos apropriados. Aprendeu que deveria gostar mais de sorrisos sem dentes e que pudesse controlar cada um deles. Que não deveria se apaixonar por alguém que gargalha de igual pra igual…alguém igualmente capaz de arrancar risadas. Foi assim que se absteve de qualquer chance de trocar alegria por dor. É um daqueles meninos treinados pra preferir tudo que é sério, tudo que é certo, tudo que é chato. Afinal, de contas, meninas felizes não são meninas pra casar, né?!
Free Fallin’ (Acoustic) by John Mayer on Grooveshark
…ela escreveu sobre mim!”
Então finalmente, algo que você reconheça nisso tudo. Algo que você leia e se identifique.
Talvez se sinta um pouco inseguro porque nunca se encontrou por aqui. Talvez consiga admitir pra si que seria legal ser importante, que seria bom entender um pouco da gente através desse texto.
Odeio decepcioná-lo, mas, infelizmente, não tenho resposta pra muitas de suas perguntas. Por mais difícil que seja reconhecer o que é intolerável pra mim, eu não sei, simplesmente…não sei. Ando tentando me abster de tudo que me carregue pra encarar esse monte sentimento acumulado nesse tempo. Me esquivo, me escondo pra não ter que admitir pra mim mesma: TÁ, GOSTO!
Porque assim vai ficar mais fácil quando você não me chamar pra ir ao cinema e não me ligar pra saber como foi o meu dia. Vai ser menos choro quando você resolver me deixar aqui pra voltar pra sua vida perfeitamente doentia com sei lá quem. Pelo menos eu não disse sabe? Não pronunciei nada que me comprometesse. Se não sai pela boca, não vale pro coração? É assim, num é?
E é daí que vem o silencio. Esse meu silencio que dói e angustia fazendo você enlouquecer sobre que diabos se passa dentro desse troço que sou eu. Que você até gosta, mas não entende. É daí o silencio. Essa constante luta pra não deixar escapar qualquer fagulha de coração pela boca. Tentando esmagar sentimento com o cérebro nessa infindável luta pra não te amar.
E o olhar confuso seguido da resposta NADA diante das suas perguntas sobre o que eu tô pensando. Porque vivo dizendo pra mim mesmo que você, na verdade, nem quer saber. Assim como o resto do mundo, na minha cabeça, ta sempre ocupado demais pra mim. Indisponível que nem você, sabe?
Então fica assim. Você vai embora antes de descobrir e eu finjo que não sei que você, no fundo, já sabe de tudo. Mas tudo bem. Vai! Eu acostumei a escorregar e ralar o joelho e você acostumou a se proteger disso…Sempre!
É uma boneca…de verdade!
Mais alta que a maioria, mais magra do que a média e mais loira que qualquer outra Barbie humana. Linda, é verdade. Acredito,inclusive, que já acorde maquiada e com o cabelo intocável. As mechas sempre perfeitamente retocadas e o sorriso marcadamente branco. Não entende de futebol, nem de política e possui gosto de princesa para musica e para filmes. Ouve somente de John Mayer a Jason Mraz e as musicas românticas de meninas tão bonecas quanto ela. Nos filmes, gosta do Ben Afleck e do Ashton Kutcher se declarando pra Jennifer Aniston ou a Sandra Bullock nas ultimas cenas antes de o casal viver feliz para sempre. Fora isso, assiste reality shows e novelas em que o amor da mocinha e do mocinho superam tudo.
Lê no máximo uma saga do tipo crepúsculo e um auto-ajuda estilo Zíbia Gasparetto porque tem medo de desacreditar em romances. Dorme mais cedo pra sonhar com um carinha qualquer, mas que acredita que um dia vai mandar flores pra sua casa com um cartão lotado de corações.
É incapaz de fazer mal a uma mosca. Mas se deixa machucar o tempo todo pelas pessoas ao redor. Sua educação de princesa impediu que se tornasse uma leoa e por isso, as vezes, não sabe como se defender. E aí, sofre. Sofre deitada na cama durante seus filmes da Sandra Bullock e se pergunta quando é que as coisas começarão a funcionar como naquelas comedias românticas que ela tanto decorou a vida toda. Sofre quando as coisas não saem como o planejado em seus sonhos fantasiosos durante as aulas de estatística.
Chora baixinho porque seu castelo ás vezes se parece como um lugar comum e suas fantasias são jogadas no chão como se fossem sonhos de uma qualquer. Logo ela, que já acorda com os cabelos impecáveis. Logo ela, que não beija qualquer um na balada, que não bebe e odeia cigarro. Logo ela que ensaiou durante anos pra um momento que simplesmente nunca chega.
Logo ela…tão princesa.
Tem uma frase da Veronica Heiss que me arrepia os pêlos da nuca toda vez que leio. “Não sangra nem deixa marcas, mas escrever dói. Dói como a saudade do que não acontece, porque exterioriza sentimentos que eu escondo até de mim.”
E pra mim ainda não é possível escrever sobre o que mais me dói. Depois que passa sim, mas durante, não. Escrever é cutucar ferida que, se não tiver bem cicatrizada, vai fazer sangrar demais e aí é muita dor.
É como aqueles machucadinhos em que você sabe perfeitamente se chegou ou não a hora de tirar a casquinha. Sua pele te avisa que mexer naquilo agora vai deixar marcas mais profundas e vai doer… Então eu espero a segurança das casquinhas bem cicatrizadas antes de remoê-las em palavras nesse compacto simples.
O pré-requisito pra virar texto é estar bem elaborado. É ter posição, opinião, lugar no discurso, significantes e interpretações suficientes. Não dá pra colocar no papel se ainda não tiver bem organizadinho lá dentro, em ordem, em paz.
E é por isso que talvez você tenha se procurado aqui…e saído frustrado. Se não tá aqui é porque ainda não cicatrizou.
Tem um olhar constantemente desafiador, bonito apesar de ser ameaçador demais. Tem medo de que alguém apareça pra destroná-lo desse lugar de campeão indestrutível mais foda das galáxias. Não admite, mas já sofreu muito por amores de botequim. Mantém essa pose de que não possui coração e de que toda a sua armadura é inabalável como se não pudesse jamais ser humano, como se não pudesse deixar de ser máquina.
Tem problemas pra dormir porque o travesseiro sufoca os pensamentos e o deixa à mercê de suas próprias fraquezas. É ali, na horizontal, que ele admite pra si, mesmo que relutante, que ás vezes dói, admite que perde, admite que talvez não seja sempre tão bom assim. Mas não há amanhecer que não devolva toda a sua invencibilidade de garoto prodígio.
Diz que é bom em tudo que faz mas não vejo nada de tão de bom assim. Pelo menos, não nas coisas que ele faz questão de gritar em mesas de bar. Não há nada de surpreendente ali. O interessante é o lado B, a insegurança que escapa numa curta sentença no meio do discurso interminável sobre suas proezas. Aquela palavrinhas perdida ao pé do ouvido que quase não dá pra entender mas que diz muito sobre muita coisa. Aquela mão apertada no melhor estilo “não me solta” perdida no meio de tanto carinho bem ensaiado no espelho de casa pra parecer só mais um putão sem coração.
E essa historia toda de “se achar” é meio curiosa porque faz muito tempo que não esbarro com alguém tão perdido nessa vida, então talvez sim, seja preciso ”se achar”. Nunca gostei muito de novelas mas confesso que toda essa sua interpretação me manteve entretida. E se fosse um filme na sinopse eu leria sobre um cara legal que não gosta de ser só mais um cara legal, e se esforça pra ser só mais um cara babaca que destrói corações ao invés de mostrar que também possui um.
É uma pena eu não ser muito fã de atuações…
Era como se conhecessem desde criança, mas não tinha tanto tempo assim. Havia oito meses, treze dias, 2 horas e 46 minutos. 47 agora. Isso pelos cálculos dele. Sim, ele se lembra de quando ela chegou, a roupa que ela vestia, sabia seu signo, seu cantor preferido, o que não gostava de comer. Lembra de cada detalhe daquele dia, se recorda de ter achado que já era primavera, mas ainda era inverno, um inverno daqueles, sabe? Mas ele vê tudo florido quando se lembra do dia em que ela entrou na sua vida.
Foram 256 dias ate agora. E desses tiveram, no máximo, dez em que não se viram. Nunca deixaram de se falar, no entanto. Horas a fio por todos os meios de comunicação que inventaram. Benditos Graham Bell e Mark Zuckerberg!
Ela gosta dele. Diz que é muito. Demais às vezes. Mas não decora essas coisas, não dá importância à chegada dele. Acha normal, já teve outros. Parou de contar quando viu que contar fazia mal pro coração. Mas ele conta. E ele tem memória olfativa pro cheiro doce do perfume que ela usa, sabe quando ela se aproxima e paquera inconscientemente meninas com o mesmo cheiro na rua. Gosta dos pedacinhos de loiro perdidos no cabelo castanho dela, admira cada gargalhada histérica que ela dá nas horas inoportunas. Ela pensa nele antes de dormir. Gosta de ter alguém com quem dividir as historias, os gostos, as musicas, a vida. Nunca fez grandes planos pra ele, mas se perguntava se algum dia conseguiriam ser mais do que apenas colegas-amigos-companheiros-tudo-a-ver.
E é nessa valsa de indecisão que ela confessa no ouvido dele que bem que eles podiam tentar. Ele ri. Ri de sua “praticamente irmã”. Leva na brincadeira e diz que jamais estragaria uma amizade assim tão bonita pra satisfazer uma carência boba assim dela. Não percebe que a ama. E não vê que perder amigos não chega aos pés do que é perder um grande amor – ou talvez seja o contrário.
Começou do nada. Apenas três frases no primeiro post. Não ia pra frente. Bom, foi. Agora é tudo, tudo que vivo, sinto e penso. Sou eu e o outro também. É tudo que acontece, é o que eu imagino. É amor, raiva. É compacto. E é simples.